Calendário
"A coisa de que mais gosto sobre o tempo é que ele não é real. Está todo na cabeça. (...) Não há algo como o passado: ele existe apenas na memória. Não há algo como o futuro: ele existe só na nossa imaginação. Se nossos relógios fossem realmente precisos, a única hora que nos dariam é "agora"."*
Quanto Agora jaz bonito na memória?
Quanto Agora morreu sem uso
na lata de lixo
Porque não atendia as Regras
que você inventou?
Quanto Agora nunca chegará aos pés
da Imaginação?
Quanto Agora nos escapa,
Agora de bocas perdidas,
de sede,
molhando uma à outra
Entregues.
Agora desnudo, de arrepio, de corpo
de Dançar, de Arder
e Devorar
Agora que unha, e sopra
quente ao ouvido,
umedecendo e firmando
o que ignorávamos estar ali.
Entrelaçamos as mãos
no segundo dos sorrisos tênues
quase colados
no minuto de espelhar os olhos
nos olhos salivando
enormes acesos
por fim vendados
pelo AgoraTudoeEspasmoeÊxtaseE...
Então...
O Silêncio... por
Este Agora Proibido de nascer,
de pulsar,
Porque o Passado, que já nem existe,
arranhou e rasgou sua carne,
te sangrou dentro.
Porque você se ilude que
pode domar o Futuro,
que também não existe,
- fantasma adiantado.
Porque você ainda acredita num Calendário.
Mel Neves
2025
.
*[Tradução de trecho do diário de Damien Echols (um homem que ficou preso injustamente por muitos anos).]


